tomanotas

alô, alô, marciano

Hoje, saindo do escritório, pus os fones de ouvido e sintonizei a dublab DE no aplicativo do Radio Garden. A música que tocava me parecia familiar, mas estava numa daquelas partes puramente instrumentais e, como eu andava prestando atenção à saída da portaria, de primeira acabei não identificando qual era. Uns passos adiante, justo quando saí da sombra e pude ver o céu azul e sentir o calor tímido do sol de primavera, vieram os vocais. Era Elis Regina cantando Alô, alô marciano, e tocava numa rádio alemã. Dei um daqueles sorrisos contidos, mas genuínos e espontâneos porque, pra além da coincidência, a música veio num crescendo que coincidiu com perfeição cinematográfica, quase improvável, com a cena do céu se abrindo por detrás de uma marquise, e a sensação da brisa leve correndo misturada ao calor da luz solar e daquela voz. Nunca fui fã de Elis e, pra ser sincero, houve um tempo em que achava tudo dela muito melancólico, quase deprimente. Hoje, o canto dela bateu como um abraço. Em casa, fui atrás de ouvir a música de novo quando caí num álbum de 1980 chamado… Saudade do Brasil. Não acho que seja mero acaso.

alô, alô, marciano
aqui quem fala é da terra
pra variar, estamos em guerra
você não imagina a loucura

#anotação #música