tomanotas

dia-dia, noite-noite

Tenho uma certa birra do entardecer. Por alguma razão que desconheço, a transição entre o dia e a noite traz consigo algo de sombrio e melancólico que me deprime momentaneamente.

Hoje, lendo Tudo é rio, de Carla Madeira, esbarrei num trecho que indiretamente fala sobre esse sentimento, talvez mais comum do que eu pudesse imaginar: “Perder amores é escurecer por dentro, uma memória do corpo que o entardecer evoca quando tinge o céu de vermelho”. Meio piegas? Talvez, mas faz sentido.

Em Um quarto só seu (trad. Denise Bottmann), Virginia Woolf relata: “Era a hora entre uma luz e outra, quando as cores passam por uma intensificação e os roxos e dourados ardem nas vidraças como um coração palpitando agitado; quando, por alguma razão, a beleza do mundo se revela, mas logo perecerá.

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