introversão e performance
Nos últimos meses, tenho me incomodado com o que talvez seja um dos efeitos colaterais da minha introversão: a performatividade que me faz parecer mais acessível do que sou quando preciso interagir com alguém numa situação banal, mas que eu certamente evitaria, se pudesse. Sei que é uma dessas defesas que a gente desenvolve pra se safar de certos contextos sociais, mas, de uns tempos pra cá, desenvolvi a incômoda consciência de que às vezes ajo um pouco fora do tom, de um jeito que me idiotiza e que abre espaço para as pessoas se aproveitarem da preguiça que tenho de confrontá-las. Apesar de ser um traço da minha personalidade, acho que essa “tendência à atuação” se agravou ao longo dos anos em que trabalhei nos ares, ambiente que nos condiciona a ser sempre muito solícitos e acolhedores, embora muitas vezes isso não passe de encenação. É claro que, em alguma medida, o tempo acabou me ensinando a modular esse comportamento, mas ainda acho difícil evitá-lo por completo, mesmo sabendo que às vezes ele me expõe a situações que considero desconfortáveis. Por mais que reconheça que tenho capacidade de ler com relativa facilidade os sentimentos alheios, ainda tenho muito o que aprender quando o assunto é respeitar a natureza do que eu sinto e de como quero agir.