sobre a tradução
Recortes sobre o fazer tradutório.
lily meyer sobre the philosophy of translation, de damion searls, para o the nation
If we see translators as a go-between connecting literatures, or cultures, that don’t touch, then we approach translations with a feeling of difference that, in the worst case, can resemble a linguistic variation on stranger danger. Searls proposes another approach: ‘Rather than beginning from an assumption of two separated contexts, we should view the translator as someone in a diverse community who reads a text in one language and produces a text in a different language.’ No bridge, no gap, no journey—nobody’s a stranger here.
A good book, and only a good book, has the effect of reminding us not only that reality is shared, but also that others don’t see it or feel it as we do. For Searls, the way to tell bad writing from good is this: ‘Bad writing is predictable, good writing is defamiliarizing.’ Put differently, a good book either feels unfamiliar or makes us feel less familiar to ourselves. In reading it, we can remember that this unsettling sensation—this sensation of foreignness—is, in fact, not foreign at all. It’s human; it’s an expansion of the mind and the heart. A good piece of writing, if and only if it’s read well, can do that to us.
marilene felinto em entrevista à gama
[Traduzir é] um mergulho no estilo do outro, no léxico e na sintaxe da linguagem que o outro criou a partir da língua estrangeira.
mérito, rachel cusk (trad. fernanda abreu)
...senti que, enquanto você tinha legitimado essa realidade parcial ao escrever sobre ela, eu a tinha legitimado outra vez ao conseguir transpô-la para outro idioma e garantir que ela sobrevivesse.
a estrangeira, claudia durastanti (trad. francesca cricelli)
Em italiano, o verbo ‘sentire’ coincide com a capacidade de sentir um sentimento e um sentido preciso, a audição. Em inglês não é assim, ‘to hear’ e ‘to feel’ são duas ações bem distintas. Não sei como funciona em outras línguas. E não sei como poderia traduzir as vezes em que minha mãe fica deitada na cama com os olhos fechados e sussurra: ‘Não ouço nada’, sem perder tudo aquilo que quer me dizer.
homesick, jennifer croft
Each time a Russian word meets an English word it generates a spark. And translation offers Amy a new kind of math, an alternative to the math of sacrifice that has ruled her life on her own until today. She can’t cancel out another person’s suffering or death with hers. What she can do is connect.
mar azul, paloma vidal
Para mim o trabalho de tradutor sempre teve a ver com uma tenacidade ingrata.
sobre os ossos dos mortos, olga tokarczuk (trad. olga bagińska-shinzato)
Na verdade, não achei fácil, porque não conseguia captar as imagens belas e dramáticas que Blake criava com as palavras. Será que ele realmente pensava dessa forma? O que descrevia? Onde se encontra tudo isso? Onde e quando isso acontece? Será que é uma fábula ou um mito? (...) Ele era esperto e sabia olhar para as frases traduzidas de um ponto de vista completamente distinto, deixar de lado o apego desnecessário a alguma palavra, se distanciar dela e voltar com algo completamente novo e belo.
como ler literatura, terry eagleton (trad. denise bottmann)
O significado não é fixo, no sentido de ser inerente a um conjunto específico de palavras. Se assim fosse, não haveria possibilidade de tradução. Se o significado é relativamente determinado, é porque não se resume apenas a uma questão verbal. Ele representa um acordo entre seres humanos num tempo e num espaço determinados, encarnando o que compartilham nos modos de agir, sentir e perceber. Mesmo quando divergem sobre tais coisas, as pessoas precisam concordar em alguma medida sobre o que estão discutindo, senão nem poderíamos dizer que o que estão fazendo é divergir.